quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Mogli, o Menino Lobo: O último clássico de Walt Disney

Galera, o post de hoje será sobre Mogli, o Menino Lobo (The Jungle Book, no original), o último filme produzido por Walt Disney.
Lançado em 1967, Mogli, o Menino Lobo é o último filme em que Walt supervisionou e produziu e ajudou na produção, uma vez que seu lançamento foi um ano após a sua morte em 1966.
Embora que seja produzido, Walt também nunca viu o resultado do filme, devido a sua morte.
Baseado vagamente no livro O Livro da Jângal* do escritor inglês Rudyard Kipling publicado originalmente entre 1893 e 1894 em revistas, é o décimo nono da Disney Feature Animation Studios (Clássicos Disney) e o último filme da Era de Ouro da Disney que iniciou em 1937, com Branca de Neve e os Sete Anões que passou nas décadas de 1940, 1950 até os meados dos anos 60, com a morte de Walt Disney. 
É o terceiro longa dirigido por Wolfgang Reitherman, que havia dirigido curtas do Pateta nos anos 50, A Bela Adormecida (1958), o curta Goliath II (1960), 101 Dálmatas (1961) e A Espada era a Lei (1963).
É o primeiro filme da Disney cuja ambientação é na Ásia, seguida mais tarde por Aladdin (1992) e Mulan (1998).

* O título oficial do livro de Kipling no Brasil é O Livro da Jângal, não que O Livro da Selva esteja errado, mas que esse último título é usado em Portugal.

História e produção de Mogli, o Menino Lobo
Tudo começou em 1963, após o lançamento de Espada era a Lei, quando Bill Peet, roteirista da Disney daquela épica apresentou a Walt Disney uma sugestão de fazer uma adaptação de O Livro da Jângal, de Rudyard Kipling, para o estúdio e que fosse o próximo filme. Walt Disney aceitou a sugestão.
Peet havia feito sua primeira versão, que era um filme bem próximo da obra de Kipling, cujo resultado não agradou Walt Disney por achar muito sombrio para o público familiar, e pediu para reescrever o filme.
Não querendo reescrever o roteiro do filme, Peet abandonou o projeto e o estúdio.
Após isso Walt pediu para Larry Clemmons fazer o novo roteiro para o filme, dando o conselho de que desde que o roteiro não esteja próximo ao livro.
As músicas originalmente seriam compostas por Terry Gilkyson, mas as canções não agradaram Walt Disney e este chamou os irmãos Sherman, que haviam trabalhado em Mary Poppins (1964) e na canção icônica da atração It's a Small World, para compor novas músicas para o filme.

O filme foi lançado dez meses após a morte de Walt Disney. Durante esses dez meses de produção, foi re-lançado Branca de Neve e os Sete Anões como uma homenagem a Walt Disney.
Mogli, o Menino Lobo é o longa que marcou a despedida de Walt Disney, que acabou não vendo o sucesso do longa.
Durante o lançamento, o filme se tornou um dos maiores sucessos do estúdio. O sucesso foi tão grande que ganhou uma série chamada TaleSpin (Esquadrilha Parafuso, no Brasil), que envolve personagens do filme lançada em 1990; uma série spin-off do filme Os Filhotes da Selva que envolve os personagens animais crianças, antes de conhecerem Mogli; uma continuação em 2003 e é claro um remake prestes a ser lançado em 2016.

Sinopse
Mogli (Mowgli) é um menino indiano orfão criado por lobos e que vivia feliz na jângal. Porém a sua vida está correndo risco, pois Shere Khan, um tigre que odeia humanos por causa da arma e do fogo, pretende matá-lo.
Com isso, Baguera (Bagheera), um leopardo negro, faz um acordo com a alcateia que estava com medo de que o tigre matasse o menino e todo aquele defender ele, decidindo levar Mogli para um vilarejo indiano próximo (chamado de "Aldeia de Homens" (Man Village)) para sua segurança.
Mogli, porém não aceita a ideia de seu amigo leopardo e acaba seguindo a ideologia de Balu, um urso irresponsável que gosta de curtir a vida e que passa a ensinar o menino viver pelos prazeres da vida do que é mais importante para sua vida que corre risco pela ameaça de Shere Khan, o que torna complicada as coisas.

  Elenco
Elenco original
Bruce Reitherman com seu pai, Wolfgang Reitherman, durante a gravação
   Bruce Reitherman, filho de Wolfgang Reitherman deu a voz ao menino Mogli. Bruce havia dublado o menino Cristóvão em Puff e a Árvore de Mel (1966), primeiro filme do Ursinho Puff.


Phil Harris emprestou a voz ao urso Balu. Phil foi convidado pelo próprio Walt Disney, que se conheceram em uma festa.
O ator disse que improvisou muito no papel do urso, acreditando que o papel era muito complicado.
Mais tarde, Phil emprestaria sua voz ao gato Thomas O'Malley em Aristogatas (1970) e ao João Pequeno, também urso, em Robin Hood (1973).

Sebastian Cabot dublou Baguera. Sebastian havia dublado antes Sir Ector em A Espada era a Lei, um dos papagaios na atração The Enchanted Disney Room inaugurado em 1963, e narrado curtas do Ursinho Pooh entre 1966 e 1974, e o longa-metragem do urso lançado em 1977, que foi o último filme que participou.
Sebastian faleceu em 1977, cinco meses após o lançamento de Puff, o Ursinho Guloso.

Louis Prima fez o papel de dar voz ao orangotango Rei Louie. Louis voltaria em Bernardo e Bianca (1977), dublando um urso à la Louis Armstrong chamado Louis, mas devido a um tumor cerebral que teve, o personagem foi deletado, sendo Rei Louie, o único papel que teve na Disney.


George Sanders foi quem deu a voz ao temível Shere Khan. Quem deu a voz de Shere Khan quando está cantando foi Bill Lee, que não foi creditado no filme.
George faleceu em 1972 e Bill Lee, em 1980.

Sterling Holloway emprestou a sua voz ao píton Kaa. Os personagens que Sterling havia dublado antes de Kaa foram a Cegonha em Dumbo (1941), a voz adulta de Flor em Bambi (1942), o Gato Risonho em Alice no País das Maravilhas (1951) e o Ursinho Puff a partir do curta metragem Puff e a Árvore de Mel até o longa Puff, o Ursinho Guloso (1977).
O personagem que Sterling dublou depois de Kaa foi Roquefort em Aristogatas (1970).

J. Pat O'Malley emprestou a sua voz ao rabugento coronel Hathi e ao abutre Buzzie (o abutre careca). Pat já participou antes dublando Cirilo Anca-Feliz e Sr. Winkie em As Aventuras de Ichabod e Sr. Sapo (1949), os gêmeos Chico Bam e Chico Bum, A Morsa, o Carpinteiro e a Mãe Ostra em Alice no País das Maravilhas (1951) e Gaspar e o Coronel em 101 Dálmatas (1961). Ele também havia dado a voz diversos personagens na atração Piratas do Caribe, que foi inaugurada no mesmo ano em que o filme foi lançado.

        Verna Felton se despediu do cinema com a elefanta Godofreda (Winifred, no original). É o último papel não apenas na Disney, mas também de sua carreira, devido ao seu falecimento horas antes de Walt Disney.

Darleen Carr dublou a menina Shanti (na época a personagem não tinha nome). Darleen fazia participações em uma minissérie dentro da série da Disneylândia Walt Disney's Wonderful World of Color chamada Gallegher que durou entre 1965 e 1968.

Dublagem brasileira

No Brasil, a dublagem usada sempre foi a do lançamento de 1968. Mas a partir da Edição Diamante lançado em 2014, a dublagem de 1968 foi substituída por uma nova dublagem, depois de 46 anos.

Dublagem de 1968

Mogli - José Manuel Moraes Neto
Balu - Alberto Perez
Baguera - Luiz Motta
Shere Khan - Roberto Maya
Kaa - Magalhães Graça
Coronel Hathi - Castro Gonzaga
Godofreda - Estelita Bell
Hathi Jr. - Paulo Scarpallo
Abutres - Waldir Fiori (Buzzie), Mário Monjardim (Flaps), Waldir Guedes (Ziggy) e Older Cazarré (Dizzy) 
Shanti - Sônia Ferreira

Dublagem de 2014

Mogli - Mattheus Caliano
Balu - Mauro Ramos
Baguera - Ednaldo Lucena
Shere Khan - José Sant'anna
Kaa - Alexandre Moreno
Coronel Hathi - Élcio Romar
Godofreda - Carmen Sheila
Hathi Jr. - Desconhecido
Abutres - Luiz Carlos Persy (Buzzie), Sérgio Stern (Flaps), Ricardo Telles (Ziggy) e Raul Labancca (Dizzy)
Shanti - Gabi Porto

Diferenças entre o livro e o filme

A Disney removeu toda a abordagem sombria do livro original.

- Baguera não era tão sério quanto no filme. Ele até mimava o menino. Em algumas adaptações do livro, colocam Baguera como um leopardo fêmea.

- Kaa é um dos melhores amigos de Mogli. Kaa havia ajudado Balu e Baguera para salvar Mogli dos macacos.
Seu hipnotismo consistia na dança e não nos olhos. A ideia de Kaa ser amigo de Mogli foi retirado do filme por prováveis crenças religiosas de que as serpentes são animais traiçoeiros. 

- Além de Balu, Baguera e Kaa, Mogli tinha um amigo milhafre-negro (uma ave de rapina) chamado Chil, que também ajudou Balu, Baguera e Kaa a salvar Mogli dos macacos. Por razões desconhecidas, o personagem não foi incluído no filme.

- A mãe loba de Mogli, Raksha, tinha um papel significativamente maior no romance. Por razões desconhecidas, o papel de Raksha foi reduzido no filme, provavelmente na intenção de simplificar a história.

- O nome do pai lobo de Mogli não é Rama, como demonstrado no filme, é apenas referido como Pai Lobo. Rama é o nome de um búfalo na obra de Kipling, que também não está presente no filme.

- Hathi é o líder da jângal e o mais sábio dos animais da selva indiana no livro original, já no filme, ele é um coronel rabugento, egoísta, autoritário e pomposo. Aliás Hathi tinha três filhos no livro original e não tinha uma esposa, enquanto no filme, ele tem um filho único, uma esposa e uma manada. 

- Mogli tinha consciência de que precisava ir a Aldeia de Homens. A Disney retirou essa consciência para dar uma ideia mais infantil ao longa.

- Mogli cresce e vai a Aldeia de Homens. Na adaptação da Disney, o conceito de Mogli chegar a idade adulta foi retirada. No entanto, apesar de Mogli entrar na aldeia, Shere Khan mesmo assim ameaça matar Mogli, conceito mais tarde utilizado na continuação do filme Mogli, o Menino Lobo 2 (2003).

- Na Aldeia de Homens, Mogli foi adotado por Messua, que junto de seu marido, acreditava que ele era filho biológico há muito tempo perdido chamado Natu. 
Eles até foram planejados para estarem no filme original, mas foram deletados da versão inicial, pois era sombrio demais.
Curiosamente, os pais adotivos de Mogli só aparecem em Mogli, o Menino Lobo 2.

- Os abutres não são personagens originais da história original, portanto são personagens originais do filme. Mas o papel deles parecem substituir o papel de Chil.

-  Rei Louie também não é um personagem da obra original, uma vez que os orangotangos não são primatas nativos da fauna indiana, e sim da Indonésia, que portanto é um personagem exclusivo do filme. Walt Disney criou um rei nessa espécie de primata, pelo fato do termo orangotango significar "homem da floresta" na língua malaia.
 E o Bandar-Log (os macacos) age por si e declaram repetidas vezes que não possui um líder ou um rei. E além disso, os macacos possuem uma personalidade mais sombria e antagônica e como mencionado acima, a Disney retirou qualquer abordagem sombria da história original.

- Outro personagem que também está ausente no filme da Disney é Tabaqui, um chacal que era aliado de Shere Khan. O personagem chegou até planejado para estar na animação como um chacal atrapalhado que pretende comer Mogli, sem sucesso de conseguir comer o menino. Foi deletado provavelmente para evitar repetições de personagens, já que o estúdio já teve vários personagens com essa personalidade como o tigre Raja (não confunda com o tigre de nome parecido em Aladdin (1992)) que pretendia devorar o elefantinho Goliath II no curta-metragem homônimo de 1960, e um lobo em A Espada era a Lei (1963) que assim como Raja, pretendia devorar Arthur.
O personagem que notavelmente assume o papel do chacal no filme é Kaa.

- Shere Khan era um tigre manco de nascença, mas o tigre não demonstrou deficiência nenhuma e a sua deficiência nunca fora mencionada no longa.

Curiosidades
 
- Balu originalmente seria marrom, mas coloriram ele de cinza-azulado, para variar na cor, já que o estúdio já teve diversos ursos na cor marrom como Bongo (de Como é Bom se Divertir (1947)) e Colimério (ou Humphrey, no original). Curioso é notar que Balu está azul em Mogli, o Menino Lobo 2.

- Apesar da tanga de Mogli ser vermelha nos produtos e em alguns livros da Disney baseado no longa, a tanga de Mogli é laranja numa tonalidade avermelhada, podendo ser visto claramente nas células de animação, por isso em diversas cenas, a tanga parece estar avermelhada.

-  Segundo o livro original, Balu é um urso-beiçudo (Melursus ursinus), uma espécie de urso com garras longas, nativo do subcontinente indiano. O visual de Balu no filme da Disney foi baseado vagamente na espécie.

- De todos do elenco original, os únicos que estão vivos até hoje são Bruce Reitherman e Darleen Carr.

- A canção That's What Friends Are For seria originalmente cantada no estilo dos Beatles. Mas a ideia foi descartada, pois Walt Disney achou que seria "fora de moda", mas o design dos abutres foram mantidos no filme.




- Dentre os personagens deletados do longa, é o rinoceronte Rocky, que talvez virou o ícone de personagem deletado mais popular da animação Disney. 

Ele apareceu originalmente na versão inicial do longa, na época em que Bill Peet estava produzindo o longa-metragem.
Milt Kahl deve ter gostado do personagem e resolveu colocar no longa-metragem, modificando é claro o personagem como um rinoceronte míope e um pouco irracional, tal como o Gigante Willie, em Como é Bom se Divertir (1947).
A tentativa mais conhecida é quando Mogli encontra com ele e os abutres que cantam a versão original de That's What Friends Are For. Mas quando a versão foi deletada, o personagem ficou sem espaço na narrativa do filme e foi deletado.
Uma outra curiosidade é que em uma cena animada de Se Minha Cama Voasse (1971), pode ser visto um rinoceronte semelhante a Rocky na arquibancada da Ilha de Naboombu, além do personagem servir de modelo ao design dos guardas rinocerontes em Robin Hood (1973).

 - Outro personagem deletado é Buldeo, um caçador que aparece em uma cena da versão inicial da película onde ele discute com Mogli sobre a jângal e os animais, o que faz o menino discordar com a ideia dele. E o caçador acaba obrigando o garoto selvagem a levá-lo para as ruínas para encontrar um tesouro secreto, onde lá confrontam com Shere Khan e cantam a canção The Mighty Hunters, e que o tigre acaba matando Buldeo.
A cena foi deletada, pois Walt Disney disse para Bill Peet que essa cena era muito sombria. 

- O nome de Shanti nunca foi mencionado no primeiro filme, tanto que nos créditos do longa e na folha de arte conceitual de Milt Kahl era referida de Menina.
A menina só recebeu o nome de Shanti em Mogli, o Menino Lobo 2.

- Shere Khan é o único dos animais no filme que é imune a hipnose de Kaa, apesar de Balu nunca entrar em contato com o píton durante a película.

- As cenas dos elefantes se colidindo foi reaproveitada do curta-metragem Goliath II (1960).

- Os movimentos de Shanti foram usadas como referência mais tarde a Penny em Bernardo e Bianca (1977) e a Ariel (na forma humana) em A Pequena Sereia (1989). 

 - Um mundo baseado no filme estaria planejado para o jogo da franquia Kingdom Hearts para PSP, Kingdom Hearts: Birth By Sleep. Foi deletado da versão final por razões desconhecidas, provavelmente por não ter espaço no disco.
O vídeo mostrando o mundo deletado, pode ser visto no You Tube.
 

Conclusão 

Mogli, o Menino Lobo é um clássico que provavelmente não há ninguém tenha assistido. O longa é cativante, inesquecível e excelente.
E aí assistiram o filme de 2016?

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